A Natureza é simples. Com seus encantos, formas e composições. De elementos antigos, que em sua substância completa o espírito. Do canto do pássaro à calmaria do vento. Do queimar lento do fogo, alastrando a fumaça. Sem pranto, tempo ou espaço. Apenas as coisas como elas são. E o mundo dos homens não entende esse silêncio. Que independente cresce sem pensar. Uma semente não cobra dinheiro pra romper a casca. Nem mesmo a árvore quer notas para maturar seus frutos. Onde foi que se perdeu o sentido? Que o corpo mais encarecido passou a valer mais o respiro? Não seria toda vida uma dádiva? Eu não entendo por que tamanha pressa... Prefiro morrer de fome do que me render aos abusos dos homens. -Ensaio de um reflexo perdido.
🪘 Capoeira Angola — corpo, alma e resistência Mais do que uma luta, a Capoeira Angola é um caminho ancestral. Nascida nos tempos da escravidão, ela foi o jeito que o povo negro encontrou para continuar existindo — fortalecendo o corpo para estar pronto para qualquer situação de perigo, qualquer perseguição — e ao mesmo tempo preservando a liberdade, disfarçada de dança para enganar quem olhava. Enquanto o braço trabalhava no engenho, a roda se formava para treinar a ginga, o jogo, o corpo no chão, no ritmo. Porque aquela dança tinha um outro sentido: preparar a defesa, manter viva a resistência física e cultural — em campos de fuga, em clareiras, em encontros escondidos, nas capoeiras. Cada roda é um templo vivo. O berimbau chama, o corpo responde, e o jogo acontece — não só para ludibriar os opressores, mas para afirmar: eu existo, eu luto, eu pertenço. O ritmo, o canto, a malícia, o olhar atento — tudo isso faz parte da Capoeira Angola. Sua origem tem raízes no N’golo, q...
Entre o céu e o chão existe um limiar. Onde nada pertence, tudo está. Nas margens daquele abismo tudo pode ser e não ser. Depende de quem observa, quem orquestra, quem palestra... Entre o céu e o chão existe um lugar intocável. Infindável, infinito, inefável. Infalível. Tentam tocar mas não conseguem. Tentam descrever mas se perdem. Tentam olhar mas não querem. Muitos preferem continuar a merce daquilo que já está entregue. E negam a beleza de conquistar o que devem. Se convencem de que a vida é isso ou aquilo. E aceitam de mãos dadas qualquer estilo. Não se preocupam, nem se quer lutam. Parecem mortos. Entre o céu e o chão existem almas. As que ainda vivem. Pois as que morreram estão abaixo do chão ... as que sobreviveram, buscando uma solução. No limiar dos mundos, muitos ainda estão em apuros. E raras almas ainda pensam... Entre o céu e o chão, existe um lugar secre...
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